A escrita: "o gozo por nada, logo, uma perversão". Nenhum lugar vem de Arnaldo Antunes. Qual narciso. Este perigo ronda todo diário: transformar cada acaso em acontecimento. Porém, o impulso da escrita, mais do que revelar a vida, revela a vontade de escrever. "Guardar uma coisa não é escondê-la". Neste jogo se esconde e se diz. Sem análise nem crítica. Somente aquilo que advém de Barthes::: humores. O jogo estéril do gosto/ não gosto. "Para guardar". "A regra = oferecer o íntimo, não o privado".[Milena, 46 anos, escorpião, de Iracema-Porto Velho-São Paulo-Paris-Vilhena-Ilhéus, da literatura, de nenhum lugar, do Poeminha e do Tatu]
Comprei agenda nova. Ou melhor; o refil. A capa de couro já me acompanha há 4 anos. Me danei a pensar que ano novo é também assim::: traz a capa do ano anterior. Os sonhos, as promessas, os medos, os desejos vêm todos juntos na virada. Por mim, eu quero fazer mil promessas e desfazer uma a uma em seguida para refazê-las logo depois. De tudo que sei é que 2008 será ano de ganhar maioridade outra vez. Vou sair à revelia do hiato de 4 anos que tem sido o doutorado (fiz questão de ser por inteira aluna, completamente alheia ao tempo do trabalho. Em nenhum momento fui operário-padrão; tão-somente estudante nos meus horários noturnos; como este que agora escrevo). Daí que nesta mudança de agenda tem friozinho na barriga, mas tem uma crença infinda no porvir (não no futuro, que é certo; mas no porvir que é incerto e se faz na tessidura dos dias). Talvez dê certo como tem dado até agora; talvez haja curvas mesmo dando certo. Talvez eu faça uma viagem. Talvez eu fique por aqui mesmo. Talvez eu cresça. Talvez quem sabe seja esta a palavra::: talvez. (Olho minha capa mais uma vez e folheio os dias em branco do refil. Escrevo uma frase que pertence apenas a mim no dia 2 de janeiro, antes mesmo que ele exista. Escrevo com uma confiança duvidosa no porvir. Chegarei até ele?).
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