
E acabei de ler os poemas do Juba. Finalmente, cheguei ao apelido definitivo do meu ex-marido. Juba não é nem Júnior, nem Jujuba, nem todos aqueles apelidos bobos que criamos na cumplicidade. Juba ficou bom! Quem lê entrelinhas deve saber como pago o maior pau para ele, como confio e acredito nas suas escolhas, por mais que elas pareçam estaparfúdias para alguns. Daí que foi uma emoção ler seus poemas; leio-os e vejo-o inteiro. Rápidos como ele, tão cortantes como ele; viscerais, expondo dores, espantos e muita vida – de hippie. “Oh, Juba, nem preciso dizer que sempre soube que você era poeta. Mande quantos quiser que eu passo a minha lâmina de revisora. E adivinhe? Não prometi a você e a Ri que ia para a academia ganhar resistência para subir Macchu Picchu? Pois matricula feita!”.
Ontem também li os poemas de Rinaldo. E escrevi sobre eles. Rinaldo é o vocalista do Soda Acústica, um grupo muito maneiro de Porto Velho que vi na sala do Itaú Cultural, em Sampa. E gostei demais dos seus poemas e, por isso, inventei monte de palavrinhas na tarde vazia. Talvez depois eu coloque aqui.
E ganhei um poema de outro escritor, o Alberto Lins Caldas [seus livros são bons demais!]. Ganhei também uma carta dele – que eu já li, reli e treli um milhão de vezes. Daquelas cartas que só recebemos uma vez na vida de tanto que tudo parece estar contido ali – como um abraço. Só precisa que eu saiba.
O poema é este. A carta é só minha:
eu q sou ninguém
devoro ruínas
depois desse deserto
y esses mortos
porq sou polifemo também
y como nada é certo
além desses portos
agarro as crinas
de tudo q temo
E é por estas e outras que desde que acordei escuto os CDs de Itamar Assumpção no volume mais alto. E tenho vontade de dançar e mandar embora esta tristeza amarga. E tenho vontade de saber cantar. E tenho vontade. Porque este nêgo dito, vulgo beleléu me deixa sempre por inteira cheia de vontade. A cada vez que eu sentia que a melancolia branca de Paris ia me atingir, eu colocava alguma música do Itamar no ipod e era engraçado ver todos aqueles rostos sérios, aqueles dias frios, aquelas árvores secas ouvindo Itamar berrando algo estaparfúdio, engraçado, irônico, seco e certeiro. Eu acho que o mundo todo devia ouvir Itamar só para sentir como a vida pode ser divertida mesmo quando levamos a pior topada da vida... A unha arrancada, o dedo sangrando, e se é capaz de cair na gargalhada!
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