terça-feira, 8 de junho de 2010

dias


então assim. louise bourgeois morreu. eu senti como se alguém muito próximo.  kazuo ohno também - antes que eu fizesse quadros dos seus retratos que tenho há muito tempo. é uma pena que o corpo se deteriore com o tempo. até se esvair. fiz quadro do yellow submarine dos beatles, e o poeminha continua dando risadinhas quando olha para. são assim os dias. cada vez mais longe do passado. cada vez mais fincada no presente. soltei desaforos via email. e recebi desaforos de volta. antes, sofri um bocado. agora, às risadas, reconheço que morei dois dias na minha cabeça, acumulando rancores para depois soltá-los ao vento, que não vale a pena. não vale a pena alimentar nenhuma loucura. nem a minha. nem a dos outros. a não ser a loucura produtiva. a loucura dos que têm fome.  foi assim que reencontrei valdir. as ideias do valdir. e me contaminei com elas. vale a pena registrar este tipo de beleza. já estava escrito, só pode. espero que eu consiga ter no 22º FALE os mesmos sonhos e as mesmas ousadias que eu e mari, quase meninas, tivemos no 10º FALE. só agora reparei como foi bonito. foi bonito "eu não tenho nada, apenas a mim". teria sido arrogante, se minha voz não tivesse tremido. se o mar não fosse meu rival. então. 22º FALE aqui, no próximo feriado de corpus christi. neste, estivemos no 21º. bonito como sempre. e ainda mais com nós três. tatupai, tatumãe, poeminha. falei em público e não fiquei nervosa. talvez porque meu filho estivesse ali e eu o procurasse todo o tempo, enquanto estava presa à mesa. e tem as amigas. deixo lastros. faço amigos. e gosto cada vez mais. e, sim, não ganhamos o tão desejado edital. chorei. pelas noites em claro, pelo lindo projeto por ora suspenso. cada centava seria tão bem empregado, se eles soubessem. seja lá como for a seleção, eles não poderiam adivinhar todos os desejos que a sigla GEPEC congrega, como trabalhamos com alegria e com tesão. quem sabe o próximo? porque dá vontade de desistir diante do não, mas apenas por algumas horas. depois. depois tudo recomeça. como esta tentativa do poeminha. por várias vezes, tentou agarrar o girassol, até que.

sim, à vida.
.
.
Categories:

1 Palavrinhas:

Caco disse...

Nossa.

Tão bom ler isso. Senti o tom agridoce, mas era tão bom, tão bem escrito. Respirei melhor depois, tendo a certeza que a vida é assim. Sim. Não. Abrindo espaço para um talvez, um quemssabe, um seiláviuentende.

Beijodaí.