quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Música mundana, de John Neschling

(Um apêndice antes de começar: não dá para ler Ulisses tendo um bebê em casa. O grosso volume é uma concorrência e tanto. Como diz o Bozoca: livro grande demais é desconfortável. Pesa! Então, voltei por ora às leituras menos ambiciosas. Nas madrugadas, estou lendo Um homem sem profissão, de Oswald de Andrade. Fácil de segurar. E hoje, enquanto esperava o peixe delicioso feito pelo sogro, terminei Música mundana, de John Neschling).


Sempre tive grande admiração por este homem, embora nada entenda de música clássica. A cada vez que lia algo sobre ele, relacionava-o a pessoas que muito admiro e que pautam sua vida pela disciplina e seriedade nos seus projetos de vida. Uma admiração que vem da minha vontade - e incapacidade - de ter esta mesma disciplina. Não sei quantas vezes eu e minha amiga Mari planejamos assistir a um concerto na Sala São Paulo, mas o pouco contato com esse tipo de música sempre nos impediu. No fundo, achava que Neschling sempre estaria lá. Haveria tempo. Como a história nos mostrou, eu me enganei.

O livro, autobiografia concisa,  foi escrito após a sua saída tumultuada da Osesp. Subrepticiamente, não trata de outra coisa, mas o faz de modo verdadeiro e apaixonado, contando sua vida desde os primeiros momentos de interesse pela música. Os seus arroubos, as  suas histerias, a sua fama de mal,  devem ocupar apenas seu corpo. A sua escrita é de um erudito. Um homem elegante com a sua dor. E isso me instiga muito. Se ele errou na condução da Osesp, o fez porque toda a sua vida foi pautada pela obsessão da perfeição.  Talvez seus inimigos estejam certos, e a criatura, de tanto amar a sua criação, acabou por destrui-la.  O fato é que ele construiu uma orquesta do nada. E hoje, mesmo quem não tem intimidade com música clássica, sente enorme orgulho da existência da Osesp. Não se encontra muita gente que consiga realizar um  feito assim. Não à toa as pessoas obcecadas pela perfeição reclamam de enorme solidão. Para Neschling, não existe nada mais além da música. E assim ser, tem seu preço.
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3 Palavrinhas:

Halem Souza disse...

Milena, eu acompanhei parte dessa saída do maestro, lendo notícias esparsas na Folha. Também nada sei de música erudita e/ou clássica.

"Um homem elegante com a sua dor" é instigante? Curioso..

Ulisses? Quem sou eu..

Um abraço.

Anônimo disse...

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Neuza disse...

Será que Joyce teria escrito Ulisses com um bebê em casa? E o Houaiss, oteria traduzido nessas mesmas condições? :-D