quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sobre ser mãe e a teimosia


Cada vez me convenço mais. Não podemos oferecer aquilo que não temos. Óbvio, não? Difícil mesmo é sabermos a exata noção do que temos... ou somos. Em tempos de Internet, os nossos atos correm o risco de se parecerem cada vez mais com os dos outros. A priori, isso não é de todo ruim, afinal nos constituímos em interação com outrem. O problema, como sempre, está se não soubermos distinguir, escolher, selecionar o que verdadeiramente nos toca, nos atinge, nos auxilia. Quanto a mim, se por um lado sou influenciável, por outro tenho uma personalidade muito teimosa. Meus melhores amigos sabem o quanto sou refratária a conselhos! 

E agora, sendo mãe, sinto que ser assim tem sido primordial. Às vezes, eu. Às vezes, o outro.  No Mamíferas, a mãe-blogueira Nanda pergunta: "você conhece alguém, ou você mesma já colocou aquele CD de música clássica para o bebê ouvir enquanto dorme". Ela parece duvidar. E apesar de poder responder afirmativamente a sua pergunta, concordo com a discussão que ela levanta por lá: não dá para seguir receitas. 

Por mais que eu busque informações sobre o melhor modo de agir (e toda mãe tem mesmo que buscar informação!), não posso perder a naturalidade e começar a fazer tudo que me dizem que é bom. Birrenta como sou, posso dizer, sem remorsos, que até agora só fiz o que quis (pra variar!). É muito conselho para um só menino - perdi as contas de quantas receitas de chazinho já ganhei, e até agora Poeminha não bebeu outra coisa que não fosse o leite do meu peito. Mesmo se o pediatra me dissesse para dar outr alimento, eu não obedeceria.  E isso porque tenho convicção de que o  bebê não precisa de outro alimento que não o leite materno até os seis meses. É claro que isso vem das tais informações, mas se eu não as tivesse, o meninão que vejo a cada dia ficar maior e mais esperto seria suficiente para me mostrar que, sim, só o leite materno é suficiente.

E estendo essa teimosia a outros campos. Tenho cá para mim que uma mãe que põe música clássica para o filho só porque "ouviu dizer" que era bom, fará isso duas ou três vezes e não mais. Depois, o próprio filho vai perceber a "farsa". Quando eu era professora primária, muitas mães reclamavam porque os filhos não queriam ler, e eu sempre tascava a mesma pergunta: "Você lê?". 

E agora, como mãe, interessa-me saber o que posso oferecer. Música clássica é uma delas. Música de todos os tipos. Mas não é algo artificial. Apesar do meu ouvido sofrível, uma das minhas paixões é a música. Faz parte da minha vida, da do Tatupai. E consequentemente também da dele.

E assim com todo o resto. Nesta semana, pela primeira vez, ele fez o gesto de estender as mãos para pegar algo, e este algo foi um livro enorme de pano. Imaginem a emoção desta mãe-traça? É claro que poderia ter sido outro o objeto do seu desejo, mas o fato de ser um livro tem a ver com a educação que quero dar a ele, a qual, por sua vez, é baseada em minhas crenças. Enquanto ele não crescer para bagunçar essas crenças, eu aproveitarei, fazendo algo como: "está vendo, filho, eu gosto disto, acho bem legal, quem sabe você também...".
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2 Palavrinhas:

Cristina disse...

Neste ponto, sou exatamente como vc... só atendi o meu filho como eu quis... e estendo isto a todos os campos da minha vida !! Fazer o que os outros querem é viver a vida dos outros, né, miga ???? E eu posso dar com os burros nágua, mas fiz como eu queria rsrsrsrs.... beijos !!

Neuza disse...

Ah, a enxurrada de informação... Se vascilar, ficamos em dúvida até sobre o que gostaríamos mesmo de ler, escrever, escutar. Gostei da sua teimosia de fazer o que realmente está inclinada a fazer. Amamentar o bebê até quando achar que deve, botar música clássica ou sei lá o quê. Lutar pela espontaneidade, a autencidade, o que respeita a emoção se tornou um desafio.