quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vou pra FLIP



Flip. Desejo antigo. Não sei como é. Mas vivenciar a literatura como uma festa sempre foi uma tentação. Ando em crise com minhas escolhas acadêmicas, já que me roubaram o que de mais precioso eu tinha em mim: a leitura literária. Então vou me dar ao direito de passar um mês no universo da literatura. Vou também para a Abralic falar sobre um escritor que é estranho.  É  estranho e por isso gosto um tanto. Aqui e ali. Joca Reiners Terron.  Vou conhecer Curitiba. Embora. Embora quando pense em Curitiba, penso na Curitiba de Adriane Hernandez, a Driamada, que me fez ver a desumanidade de uma cidade planejada. Poderia lembrar de Paulo Leminski, e sentir Curitiba como a palma da minha pica que não tenho. Mas penso em Adriane. E compreendo bem por que. Qualquer um que morou na casa do Brasil, em Paris, sabe o que há de desumano na “casa planejada”. Para manter o plano, que todo excesso seja contido. Seja restrito ao sótão. 
.
.
Mas vou. E é certo que me deixarei fotografar naqueles lugares tão turísticos. Vou à ópera de arame. E lá me lembrarei de Madri, onde tem uma ópera igual. A daqui, réplica de lá, talvez?  Lembrar daqueles dias de Madri. Ali eu vi Guernica e O jardim das Delícias. E duvido que exista ser no mundo que não se dilacere diante. E eu estava cambaleante nas suas ruas. Como só ficamos quando alguma dor martela. Senti um tanto de dor e um tanto de poesia naquilo que sentia em mim. Noites em claro num bar tão babel - e no sótão. Diverti-me horrores com a minha solidão. Tem um quê de aventura ficar bêbada numa cidade estranha em que apenas um e outro turista como você fala a sua língua ou a língua que agora lhe serve de sua. Algumas experiências são muito libertadoras, e por isso voltam de forma mais constante do que outras. Assim é minha memória de Madri. Mas era da Flip, em Paraty, que eu falavra. E da Abralic, em Curitiba, não?
.
.
A ideia era entre Paraty e Curitiba passar uma semana em São Paulo – a Sampa que eu amo. Mas julho, será? Me deu uma desvontade. Paraty está entre o Rio de Janeiro e São Paulo. E meio de repente deu uma vontade doida de sentir o sol do Rio. O Rio, onde só fui para ser feliz.  Mas agora. Agora eu estou tão institucional. Vou morrer de saudade do meu filho, que não vai. Morrer de saudade do Tatupai, que também não vai. Eu vou. Mas de repente não amo mais São Paulo. Nem o Rio. Nem Curitiba. É assim. É o tempo. O que ele faz conosco. Isso assombra. E ao mesmo tempo é o que nos acalenta. Nos redime.
.
.
.


Categories:

2 Palavrinhas:

Halem Souza disse...

Boa(s) viagem(ens)!

Olga disse...

Milena, dê um pulinho aqui no Rio. Venha pra minha casa, na boa!!!
Me manda um e-mail; olgademello@gmail.com