sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Deslumbres em mim

Olga dias desses escreveu que não gosta de gente deslumbrada. Eu fiquei meio cabisbaixa, porque eu gosto muito da Olga. Gosto quando ela aparece por aqui. E quando eu apareço por lá e tem algo bom de ler e de sentir. Então, eu pensei em dizer que tenho deslumbres em mim. Uma forma de abrandar a palavra chã e mal vista = deslumbrada.

Tenho deslumbres. e estou convicta de que a vida precisa de deslumbres. ar blasé, pra quê, se quase sempre este vem acompanhado de um fastio da vida? de uma falta de curiosidade? de tesão? falta sede neste mundo, Olga. Falta gente que sinta cócegas na barriga. Eu mesma, vez em quando, ando tão sem sentimento. E fico tão infeliz quando isso acontece::: quando não há deslumbres em mim, quando não desejo.

Sabe do que gosto? Quando fico maravilhada. Quando faço alguma merda que me satisfaz. Quando meto o pé na jaca, sabendo que não devo. Estou mais ponderada, é vero. Mas porque estou tentando ver lá na frente. Lá na frente, cheia de deslumbres com o porvir.

Olga, não deixe de gostar daqui por causa disso. Não deixe. Eu tenho deslumbres quando leio você. Fico doidinha me perguntando como você consegue::: ler tanto, ver tanto, escrever tanto. E penso que é porque você vive cheia de deslumbres.
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1 Palavrinhas:

Olga disse...

Ih, tentei responder,não consegui, dançou tudo.
Enfim, tentarei outra vez e resumirei a ideia.
Quando falei em deslumbrados, usei com o sentido bem de gíria carioca. Os deslumbrados são aqueles que têm ar blasé, sim. Aqueles que se extasiam por qualquer obra de arte incompreensível ou CHATA de algum artista cult. Que só percebem arte se ela estiver acoplada à biografia política do autor. Que são maniqueístas aos extremo, que não têm qualquer autocrítica. É aquela gente que faz pose, os "pretenders" ou "wannabes", como dizem meus adolescentes de casa.
Todo mundo tem seu momento/lado deslumbrado, claro. Mas não é esse tipo de gente, que gosta de aparentar mais do que sentir.
Ah, eu leio um bocado porque tenho filhos medianamente criados, Milena. E não tenho marido ou namorado no momento. Mas acho que deve ser melhor viver um pouco mais e ler um pouquinho menos. Não chego ao ponto de um amigo próximo, que tem uma agenda de compromissos sociais diária. Sem filhos, solteiro, ele tem tanto compromisso que eu me canso só de olhar. Ontem, nos encontramos. Antes, eu arrumei duas estantes de livros. Coisa de quem não tem o que fazer, mas inventa, né?
beijo!!!!! Uma honra ser citada neste Nenhum Lugar!!!!