domingo, 7 de abril de 2013

resíduos


muito do que disse na postagem anterior, tem  a ver com os resíduos de inúmeros trabalhos maçantes que acabo agregando por causa dqueles que, na universidade, realmente dão prazer. há algo de perda da inocência. 

e por outro lado, ontem, eu me senti realmente emocionada por não ser o Bartebly - quem entende? pode vir a ser também uma história de frustração (há sempre paredes), mas há um movimento vivo no aprender, no sair da zona confortável da especialização. por isso, sinto uma espécie de embriaguez junto com o desejo de me envolver em mais um mundo. a isso se dá o nome de alegria.

então vale a pena. não é a aridez dos espaços sem afetividade que deve prevalecer. é preciso contar com o "próprio taco" e dar garantias a mim mesma de que não me transformarei naquilo que rejeito. é a isso que tenho procurado dar valor::: um caminho ainda verdadeiro.

porque há caminhos que parecem tão mais poderosos que o meu::: foi o que senti terça-feira ouvindo duas mulheres especializadas em cegos e surdos (sim, são as palavras, segundo elas. aquilo que é). achei bonito. aprendi um tanto de coisas. me emocionei. chorei mesmo. imaginei que há ali uma espécie de gratidão que não é fácil de ser encontrado.

então, ontem, enquanto meus homens dormiam, passei a manhã lendo a autobiografia de Bergman, Lanterna mágica, lançamento da Cosac Naify. Esqueci as tarefas atrasadas, os livros que realmente precisava ler, os filmes a que queria assistir (assisti à noite), a casa que precisava de uma faxina urgente. Ficamos ali, eu e Bergman. Eu leitora, e ele narrador. 

Causa-me um espanto medonho como tanta dor é colocada em suspenso, ou colocada a serviço, para que toda uma obra se faça. Uma obra que há muito tempo é uma das mais importantes para a construção de mim - e por que não? para além de toda a teoria que sustenta a crítica, não é para se espantar que lemos? e junto com o espanto vir algo. indefinível que seja. o indefinível que sustenta, por fim, os longos dias de trabalho enfadonho, como o dia de hoje.
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* a foto não tem a ver com o texto. mas lembrei de belém. do rivero. e deu saudade.
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1 Palavrinhas:

Sérgio Rivero disse...

Saudade de tu também!