terça-feira, 27 de outubro de 2009

Decoração e outros afins

Minha irmã Maneca, após um comentário meu sobre decoração, solta esta: "Mana, para falar a verdade, se eu disser a algumas pessoas que você agora liga para estas coisas, elas não acreditariam". Será mesmo?, é o que eu me pergunto agora. Na verdade, sempre tive uma preocupação com a casa, mas entendo o que Maneca quis dizer. "Ligar para essas coisas" relacionava-se a objetos de decoração relativamente caros. Para mim, tem a ver com aprendizado. Uma vez meu amigo Binho me disse que eu não tinha nada a agradecer a quem me ensinava algo, pois o aprendizado deriva da vontade. É algo que vem de nós quando pensamos que vem do outro. Então posso dizer que sempre tive uma "queda" por uma série de coisas e depois fui aprimorando meu gosto. É a este tipo de aprendizado que me refiro. Podemos gostar de música, de livros, de filmes e mesmo assim passarmos a vida inteira consumindo com um "gosto médio", sem se preocupar de fato em aprimorar a tal "queda". Eu vou no sentido contrário. Gostando de música, de livros, de filmes, cada vez mais nos últimos anos tenho me pautado pela pesquisa. Embora lenta, seletiva, displicente, o que busco mesmo é me rodear "do bom e do melhor". Podem me dizer que isso é coisa de gente metida à besta (de fato, era o que minha irmã me dizia). Eu prefiro pensar que é uma atitude inteligente de não querer me pautar pelo gosto médio, que em alguns casos é pior do que não ter gosto algum. Se eu vou dispender meu tempo lendo um livro, por que deveria ler o último best seller indicado pelas revistas quando posso ler um clássico que indubitavelmente é bem melhor do que aquele (ok, seria preciso discutir a questão do que significa este "melhor")?.

Voltemos à decoração. Pois bem. Quando desisti de morar de "modo provisório", resolvi arrumar a casa, mesmo sem ter casa. Comecei em Sampa. Nosso apê (meu e da Mari) era muito charmoso. Aqui em Vilhena, resolvi que começaria a comprar meus móveis "definitivos". Estou há mais de ano nesta história. Natural que me interessasse por decoração (a pesquisa, a pesquisa...). Eu já estava com boa parte do apê arrumado quando conheci um blog interessantíssimo chamado Decoeração. De lá para outros, foi um pulo. Assim, eu cheguei na minha cadeira de amamentação (que derivou o comentário da Maneca). É uma cadeira de balanço Eames e tenho minhas dúvidas se é boa para amamentar, mas é com certeza boa para ler historinhas... e é linda! Encomendei-a em Sampa e, é verdade, vou pagar os tubos pelo frete. Não é a primeira vez que faço isto. A transportadora que trouxe minhas coisas para cá é "estilo caseira". Vez ou outra eles "quebram o galho" das minhas maluquices (e cobram mais barato do que outras).

Por que seria estranho eu gostar de decoração? É a questão da imagem. Deveria uma pessoa que passa a maior parte do seu tempo ocupada com atividades consideradas nobres, como ler, escrever e tal, preocupar-se com estas coisas mundanas? Não seria mais apropriado morar em um galpão? O que as pessoas que pensam assim não percebem é que, mesmo se morasse em um galpão, ele acabaria tendo a "minha cara", ele se impregnaria do meu estilo. Não há nada de incoerente na minha atitude. A beleza está em tudo. E eu quero viver rodeada de beleza. Uma beleza que tenha a ver comigo, com minha história. E agora com a história de Tatu.

Foto: o desenho da estante, como já disse aqui, fomos eu e Tatu que criamos, assim como criamos o quarto do Poeminha. Decidimos juntos tudo que vamos comprar. Esta é a boa notícia. Tatu aprova e me ajuda na decoração do apê.
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4 Palavrinhas:

Ana disse...

Olá, vim retribuir a visita lá no cafofo. Adorei a decoração da sua casa e do seu blog, muito bacana!
A foto abaixo é muito fofa, pelo jeito da sua família.
Você tem um nenem, que lindo!
Um beijo,
PS sobre decoração: eu concordo com você que mais vale o charme da peça do que o valor envolvido nela.

Halem Souza disse...

Pois é, Milena, bronco como sou, sempre fui propenso a achar que preocupar-se com decoração é "coisa de gente metida à besta" mesmo.
Mas após ler este seu texto começo a "rever meus conceitos" (pra usar um chavão da moda).
Penso que todo mundo tem realmente esse desejo de se "ver", se "reconhecer" nos seus objetos, na sua moradia.
Vou levar um pouco deste seu espírito lá pra minha "caverna". Um abraço.

Natália Branco disse...

Olá! Quero dizer que amo seu blog mas nunca tive o ímpeto de me manifestar. Sou uma amante das letras, e dos livras, claro. Estudo biblioteconomia (!) e queria tirar uma dúvida com você. Conheci o Kafka aqui (vergonha, rs) e fui ansiosamente providenciar um livro dele. Como não conhecia nunhum, fiquei com o Metamorfose, mas como não sou tão veterana em leitura como você, não estou entendendo muito bem o livro (vergonha 2, rs).

A leitura em si não é difícil, mas sei que um autor como o Kafka não está querendo dizer "simplesmente o que está escrito ali", com certeza deve haver algo nas entrelinhas, que só quem tem "olhos de ver" capta, e eu infelizmente só "passo os olhos". Não sei se você já leu esse livro, mas, em caso afirmativo, poderia me ajudar a pegar a linha de pensamento, ou a crítica, sei lá, que está escondida nesse cotidiano narrado na obra.

Desculpe o comentário imenso e muuito obrigado por esse espaço enriquecedor e por sua atenção.

Beijos!

Cristina disse...

Afinal é o seu cantinho, a sua casa, o seu lar. tem que ser do teu agrado, te fazer ficar bem... Adorei teu texto... eu pago os tubos também pelo que gosto !!! rsrsrs... beijocas !