sábado, 12 de fevereiro de 2011

Chegou aqui


Desde que a Livraria da Rose deixou de existir, nunca mais tive amor por nenhuma outra. Em Paris, com tantas livrarias charmosas, eu passava horas na Gibert Joseph, uma grande livraria que vendia "livros quase não usados" por preços muito vantajosos, mas que não tinha nem um banquinho pra sentar. Em São Paulo, todo mundo me falava do charme da Livraria da Vila - realmente muito charmosa -, mas eu nunca comprei um livro lá. Fazendo doutorado em formiga, eu achava os livros todos muito mais caros. Freguesa mesmo, eu era da Fnac. Na verdade, do site da Fnac, que quase sempre tem os preços mais baixos do que na loja. Eu ia na loja, garimpava livros e voltava pra casa pra comprar no site. Até hoje, é onde compro a maior parte dos meus livros. Só recentemente, ando me aventurando nos sebos virtuais. É por isso que acumulo bastante pontos. Neste mês, eu podia comprar um livro de até R$60,00. E fiquei como criança que pode escolher um presente. Tantos livros que eu queria - e outros que eu precisava. Fiz várias simulações, e não comprava nada. Fiquei como a personagem do conto da Clarice - a que não terminava de ler o livro só para poder ficar mais tempo com ele. Por fim, eu escolhi um que não precisava, mas que queria muito. 2666. Eu nunca li Roberto Bolaño. Mas como muitos outros livros pelos quais me apaixonei, desejei este depois de ver que tantos o desejavam - e o amavam. Não vou lê-lo agora, atolada de trabalho que estou, mas já folheio, assim, de amor antecipado. 

* É claro que eu sei que a Fnac vende livro mais barato por causa das leis perversas de mercado. Compra muito, então pode exigir preços mais baratos das distribuidoras. E compra muito, porque vende muito. Eu sou a favor de uma lei de regulamentação de preço de livros, como na Europa. Só assim as pequenas livrarias poderiam sobreviver. Mas também sou pobre, então enquanto as leis de regulamentação não vierem, não posso pagar de rica, só por utopia. 

Categories:

6 Palavrinhas:

Sérgio Rivero disse...

Oi Mi...

Como já disse seu orientador, Rose deve ter existido apenas na nossa imaginação... Mora na nossa memória afetiva de manhãs felizes e ensolaradas de sábado!

Acho que os livros vão virar um fetiche, um objeto de prazer, como os antigos LPs...

Olha, aqui na maçãzona também não tem mais livraria como a Rose. A Barnes & Noble da Broadway com a Amsterdam fechou. O mundo vai ficando triste sem lugares pra gente ir bater papo e bisbilhotar livros aleatoriamente.

Eu comprei uma dessas maquininhas de ler livro (um kindle). Funciona mesmo! É bom e ruim ao mesmo tempo, por um lado tem essa tentação de ter sua biblioteca toda dentro de um troço do tamanho de um livro, por outro, a tristeza do livro deixando de ser um objeto (que tem cheiro, textura, peso) pra se perder na virtualidade dos registros digitais...

Eu tenho sentimentos muito contraditórios em relação a isso, mas, as saudades da Rose não têm nada de contraditórias.

Ui...Beijos nesse sábado gelado.

Tata disse...

livros são casos de amor, não?
também sinto assim.
beijo.

Ilaine - em Copenhague disse...

Milena!

Eu adoro livrarias por aqui - e livros- amo-os!! E sim, todos temos nossas histórias com eles e são tantas... Ainda em meu post anterior falei sobre meus filhos e seus livros.

Saudades daqui!De você!
Beijo

Milena Magalhães disse...

Rivero, meu amigo, eu não quero acreditar que o livro vai ficar só para os aficcionados "velhotinhos" e "safados" como nós... rs. Eu sou uma resistente, sabe? Ainda compro cds, e compro muito. E mando fazer estante linda só para ficar admirando-os, rs.

Não sei se vou ter um kindle. Eu comprei um ipod quando quase ninguém tinha. Foi uma pequena fortuna na época. E, sabe, uso tão pouco! Gosto mesmo é do ritual de pôr o cd, e ficar por ali ouvindo. E com livro a mesma coisa: gosto do cheiro, de pôr meu nome na primeira folha e na folha com o número da minha idade. Mas, quem sabe, né, um kindle...

***

E Rê, livros são os casos de amor mais perfeitos. Todas as fases do amor estão lá. A paixão, o amor, os sobressaltos, o esquecimento (este, como nos casos de amor, pode não vir). E gosto do papel, gosto mesmo.

***

Ilaine, fico contente que você tenha aparecido por aqui e que tenho voltado a escrever no seu blog. Adoro sua janela para o mundo. E gosto tb das janelas floridas. Um abraço bem abraço.

Sérgio Rivero disse...

Oi Mi...eu cá fiquei a pensar um tanto...

Outro dia tava conversando com Antônio (esperto esse menino!) sobre um grupo de rock bacanésimo que ele me indicou... (chama-se Muse, e é mesmo ótimo)...

E eu dizendo... "Antonio, comprei o mp3 do Muse...depois eu te passo..."

E ele..."MP3 eu já tenho. Coisas como o Muse quero ter em CD".

Eu fiquei pensando...Bom, ainda tenho meus LPs, os primeiros que comprei, de Jazz. Miles Davis, Lionel Hampton, Etc... Mas o Antônio simplesmente não tem nenhuma relação com o LP...A coisa antiga pra ele é o CD...

Eu acho que nossa relação com os "produtos do conhecimento" como literatura, música, filme, vão mudar muito nos próximos anos. Não sei se gosto disso, mas não acho que os livros impressos ou CDs não vão ser o principal "suporte" para os literatura e música nos próximos anos.

Esta semana uma das maiores livrarias não virtuais dos EUA fechou (A Borders). A Barnes&Noble tá se agarrando como pode, fechando lojas e tentando pegar a onda de e-books.

Então...Não sei, mas acho que vai mudar rapidinho a relação da próxima geração com os livros.

Vamover como vai ser.

Anônimo disse...

Passei um tempo sem visitar "nenhum lugar" literalmente, mas acabo de voltar das férias (merecidas) em que visitei alguns lugares e também achei-me no dever de passar por aqui... e como me delicio neste lugar, também adoro o ritual de pôr o cd e vou adotar pôr meu nome da folha com o número da minha idade. Beijo da Anônima