sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Poeminha, as coisas e a delicadeza

Poeminha está com um ano e quatro meses. Cada dia, uma delícia, um acontecimento. Ontem, eu gritei no supermercado porque descobri um dente no lado esquerdo. Tatupai já havia descoberto dois. Eh, eu sou lenta mesmo. E também ontem Dinalva, que está me ajudando nas minhas mil e duas tarefas em atraso, descobriu um bicho de pé. Eh, um bicho de pé. E não se fez de rogada: tirou-o. Enquanto eu e Tatupai olhávamos estupefatos. Mas o que me faz babar mesmo é o relacionamento que ele tem desenvolvido com os livros. E com as coisas. Aqui em casa é uma tranqueirada só. Esta mania de trazer o mundo para dentro de casa. E todo mundo fazia diagnósticos aterradores. Eu imaginava que decerto acabaria por inventar um método de flutuação de coisas. Poeminha se aproximaria e as coisas levitariam rumo ao teto. O fato é que não tirei nada do lugar. Nem o que achava que obrigatoriamente deveria tirar por segurança. Ao invés do sistema de flutuação de coisas, desenvolvemos paciência de Jó regada a encantamento do olhar. 
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É lindo de ver, acreditem. Ele é MUITO delicado. Pega tudo com uma delicadeza espantosa. Ele elegeu alguns objetos, e volta constantemente a eles, mas não é todo dia nem a toda hora: dvds e cds de uma ÚNICA fileira, livros de UMA só parte da estante, um ovo do Brennand, uma boneca africana que trouxe de Paris e uma gaveta com xícaras. E com todos esses objetos, são ele e sua delicadeza. Tira os dvds e cds para analisar minuciosamente. E carrega o ovo e a boneca para me entregar. A gaveta de xícaras para tirar uma de lá e pedir água. E com os livros, uma só página rasgada, e acidentalmente. Puxou de um jeito meio enviesado e rasgou. E, ainda assim, todas as vezes que folheia o livro de novo,  olha com pesar. 
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Não sei se tive sorte, ou o quê. Mas acho que tem sido uma educação a dois. No início, eu estava muito ansiosa. Não queria tirar os objetos imaginando que a mágica da flutuação seria bem mais interessante, mas não queria brigar a cada segundo caso não soubesse realizar a mágica. E, sim, impacientei-me. Qualquer mãe sabe que os objetos que elenquei aí em cima já são suficientes para uma bagunça bem bagunça. Mas agora estou muito tranquila. Sei que caminho junto com meu limite. E eis que descubro que está de bom tamanho. Sem gritos, sem alardes, sem sustos. 
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Talvez esteja dando certo, porque a ordem aqui em casa é trânsito livro pros seus brinquedos. Tudo, absolutamente tudo que é seu, está bem à mão. Em cada canto da casa, seu lar.
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3 Palavrinhas:

Rubiane disse...

Pleno de felicidade e paz.

Sérgio Rivero disse...

Que gracinha o bichinho com o livro...

:)

Wesney disse...

Lindo Poeminha.