terça-feira, 16 de junho de 2009

mundocão

o mundo é um mundocão. não à toa a literatura está sempre certa. os roseirais são podados a cada noite, na surdina, para que o nascer do sol não veja nada de novo, a não ser o sempre já visto. ou os roseirais são implantados ali artificialmente, com cheiro de plástico. eu queria que fosse diferente. se eu sacaneio alguém, é quasesempre de modo involuntário. talvez como todos, eu sacaneie de forma mais impiedosa aqueles que eu amo muito de perto. porque aí o que está envolvido é uma rede fina de sentimentos que pede atenção extremada, cuidado, inteireza para uma total - e impossível - compreensão do outro. mas eu não disputo espaços. nem posições. eu tenho ilimitados interesses que me protegem do desejo da glória. o mundo é um mundocão. mas eu quero mesmo é pé no chão, de preferência na estrada. eu quero mesmo é aprender mais. e tem dias como hoje que sinto muito frontalmente que incomodo só porque penso. e porque penso diferente. e porque estou numa posição de poder dizer. sinto-me agredida. na maior parte das vezes, eu ligo um foda-se automático. mas hoje eu queria dizer foda-se e mais um monte de desaforo. mas não vou dizer. ao contrário, vou ficar aqui bem quieta ouvindo Cat Power nas alturas, deixando que a música e as palavras levem isso que não tem importância alguma. o mundo é um mundocão, mas eu tenho uma roseira na minha varanda. e ela não é podada todas as noites nem plantada artificialmente. ela tem cheiro de mato e de flor. e espalha suas folhas secas.
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3 Palavrinhas:

eurídice disse...

que lindo, querida. eu me sinto assim tantas vezes... outro dia mesmo escrevia sobre o meu sentimento de inadequação a este 'mundocão'... venho te ler muito mais vezes do que deixo comments. adoro sempre. beijos em você e no poeminha que está por vir.

Halem Souza disse...

"Só porque penso. e porque penso diferente". Sabe qual é a minha dica? Não pense! De jeito nenhum, nem igual nem diferente! Milena, esse texto caiu como uma luva para o que eu estou sentindo hoje. Não que eu me julgue "o" pensador e tal... mas é tão difícil a gente conseguir respirar com tanta vulgaridade em torno da gente. Estou começando a achar que o melhor é não pensar mais. É seguir a maré. É sair sacaneando os outros mesmos - voluntariamente - porque ninguém tá nem aí pra ninguém mesmo... Desculpa o desabafo mas é que o texto tinha tudo a ver com o que estava na minha cachola. Um abraço.

Anônimo disse...

agora me lembrei do Ibrahim Sued,"os cães ladram e a caravana passa".eu passarei, nós passarinho... nossas mãos entrelaçadas hão de nos dar o apoio que precisamos para voooaaar,bjs bjs bjs