sexta-feira, 12 de março de 2010

Para o filho


Poeminha, quase seis meses. Nova casa para você. Agora, sim, espaço para você andar, quando assim decidir. Longe da beira da estrada - imagem tão valiosa para sua mãe; uma simbologia que relutei em me desfazer. Nestes dias, tive medo, filho, de ficarmos presos aqui para sempre. Como carregaremos mundo afora todo este peso? Estes pensamentos tortos no meio da noite, quando você dormiu pela primeira vez no seu quarto, no seu berço, que deve lhe parecer enorme, em comparação com o que estava no nosso quarto - tão bonito, aquele. Sentirá saudades dos balanços? Fiquei de olhos arregalados no escuro, filho, porque já não podia simplesmente abrir os olhos e lhe ver pelas frestas, como se o pequeno espaço que agora nos separa à noite fosse um vão enorme. Não é, filho. Certamente, acordei com seu primeiro movimento. Você terá percebido que estava sozinho? Se percebeu, você foi bem discreto. Logo parou de resmungar quando eu lhe acalentei na nossa cadeira de balanço. Uns "golinhos" de leite, como eu costumo brincar, e você já de novo dormia.

E foi assim que com medo vi o medo passar. Não, filho, não ficaremos presos aqui. Não estamos presos. E sei que iremos qualquer dia. Nada que um grande caminhão não possa levar - um caminhão como aquele que trouxe a  cadeira que nos balançamos à noite. Exceto os livros e os cds, nada que não possa ser deixado para trás, apesar de sua mãe tanto gostar. Somos de nenhum lugar, filho. E ainda caminharemos muito pelo mundo. Tenho certeza.
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3 Palavrinhas:

Tata disse...

mi, q delícia. é isso aí, filho não prende, filho nos dá asas...
delícia aquele trecho do bicho, né? engraçado q qdo postei lembrei de vc, pela junção inusitada benjamin + maternidade... :-)
e legal q vc curtiu o texto da febre tb, acho q febre é um ponto bem difícil para muitas mães, q bom q vc consegue encarar de forma diferente... pq não comentou lá?
bjo bjo bjo

Caco disse...

cutecute

Joplin disse...

poeminha.... :)