terça-feira, 21 de abril de 2009

em cuiabá, na cidade de 40º

longe de casa. porque alguém me espera, sinto vontade de voltar mais rápido. na cidade de 40º, penso tantas vezes naquele que ficou que ele parece se presentificar. gosto tanto deste momento da minha vida que sinto medo de perdê-lo. sinto uma vontade imensa de não errar. já errei outras vezes. e não me arrependo. já amei e desamei. antes do tempo e depois do tempo. e se não me arrependo dos erros, é porque sem eles não teria chegado até aqui, até a este momento. e se não lamento as perdas, é pela mesma razão. muitas vezes temos que perder para que venha a chance do inesperado. como aquele que ficou e me espera. como este poeminha que agora cresce em mim. hoje comprei os primeiros sapatinhos. meu coração bateu tão forte que achei que ia explodir. muita emoção. estar grávida é muito poderoso. falar disso me enrubesce. todos já sabem o que as grávidas sentem e dizem. e é tudo verdade; esta baita emoção que vem não sei de onde. nunca tive medo do porvir. e agora sinto, mas ao mesmo tempo muito segura com o presente. até as insatisfações deixo que venham sem nenhum disfarce. choro e fico ali até que venha outra emoção menos dolorida. foi assim na sexta depois de mais uma aula frustrante. a sensação que veio depois foi de muita força. fiquei até às 2h da manhã terminando o texto para falar aqui, na cidade de 40º. não apresentei bem porque tenho medo de público. o auditório estava lotado. e quanto mais olho para ele, mais me amedronto. depois, não senti a angústia costumeira. pela primeira vez, encarei como um fato, e não como um fardo. não me culpei. não havia nada que eu pudesse fazer, ao menos conscientemente. eu estava ali, eu tinha um texto na mão que, modéstia às favas, eu achava muito bom, muito perspicaz. eu havia estudado, eu havia lido, eu havia escrito, eu tinha uma opinião muito clara sobre o assunto. e se teve alguém que prestou atenção para além da minha respiração ofegante, decerto deve ter percebido que não é o não-saber que me deixa nervosa. daí a não culpa. achei mesmo que já fui bem pior. e quem pode ir além da sua fronteira invisível? sem resposta, me resta continuar. e é o que vou fazer. agora com mais cuidado. na minha mala, os sapatinhos. e aqui em mim, aquele que me espera e este que fizemos juntos em uma daquelas noites de ternura. e ainda em mim uma louca vontade de dizer àquela moça que me ama e acredita em mim: eu também acredito. e dá uma piscadinha e aquele sorriso maroto que ela reconhece em mim. assim como reconhece o medo que eu tenho que pôr debaixo do tapete para continuar acreditando.
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2 Palavrinhas:

Cris Madame disse...

Aplausos ! tenho certeza que vc foi bem ! E apresentando de dois fica bem mais fácil, não ? hehe !! 40 graus, é ?? quente por demais !!

nilza disse...

Eu estava lá ,eu assisti e aplaudi,eu me encantei com a fala da piquititinha porreta,que mesmo ofegante por conta da gravidez ,"matou a pau",segura do que disse,senti um baita orgulho de vc ser minha amiga e poder tocar vc .Mais vezes quero estar na plateia e muito educadamente bater palmas ,por que eu queria mesmo era assoviar ,bjs