quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do diário de Susan Sontag

31/12/57

Sobre fazer um diário.

É superficial entender um diário apenas como um receptáculo dos pensamentos privados, secretos, de alguém - como um confidente que é surdo, mudo e analfabeto. No diário eu não apenas exprimo a mim mesma de modo mais aberto do que poderia fazer com qualquer pessoa; eu me crio.

O diário é um veículo para o meu sentido de individualidade. Ele me representa como emocional e espiritualmente independente. Portanto (infelizmente) não apenas registra minha vida real, diária, mas sim - em muitos casos - oferece uma alternativa para ela.

Há muitas vezes uma contradição entre o sentido de nossas ações em relação a uma pessoa e o que dissemos que sentimos em relação a essa pessoa num diário. Mas isso não significa que aquilo que fazemos é superficial e só aquilo que confessamos para nós mesmos é profundo. Confissões, refiro-me a confissões sinceras, é claro, podem ser mais superficiais do que as ações.
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1 Palavrinhas:

Halem Souza disse...

Essa ideia de que o diário "pode oferecer uma alternativa" para a vida que se leva me parece sublime. Vou pensar melhor nisso e a sua relação com os blogs.

Um abraço.