quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu digo não


Flores no deserto. A promiscuidade intelectual abre a imaginação, é o que penso. Quanto a mim, leva-me onde nunca iria se me restringisse ao preto e branco. Digo não a qualquer tipo de afunilamento. Não sou derridiana, nem barthesiana, nem estruturalista, nem culturalista. Nenhuma ana e nenhum ista me interessam. Não acredito no regionalismo, nem no universalismo. Minha religião é a literatura. E minha fé é nas pessoas. 

Não sou boazinha.  Estou fora dessa lavagem cerebral de que se deve preservar a qualquer custo a pureza de uma Amazônia mítica. Por aqui, as pessoas comem, bebem, dormem, defecam, sofrem, como em qualquer lugar do mundo. Qualquer lugar é um lugar. Querem moldar meu corpo para me ensinar como se goza - preferencialmente, para o bem da coletividade. É porque a "diferença" dá dinheiro pra caramba. Expor na feira os indigentes, os relegados do mundo, e assim equipar as paredes ocas da Universidade. Pesquisa tupiniquim. Não entenderam nada do mau caratismo de Macunaíma. Escolheram o Guarani, porque é muito mais rentável. Já eu prefiro o herói sem nenhum caráter; pelo menos tem mais humor e putaria. 
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A dúvida, sempre. Escolher minha forma de gozo.
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Foi assim quando me aventurei a entrar na vida acadêmica pra valer. Na seleção de mestrado, disseram-me que eu não passaria de jeito nenhum com "aquele" assunto. Era preciso adaptar-me aos gostos dos outros, tão contrários ao meu. Passei em primeiro lugar. E segui em frente, tão teimosa como uma mula. Tão feliz como não se pode ser. E vou continuar assim. Mandarei seja quantos projetos for para estas máquinas oficiais de moer gente, até me darem dinheiro para fazer o que eu quero. Se querem saber a cor da cor da cor do verde da Amazônia, que venham aqui e coloquem suas botas compradas em Londres no lamaçal.  Levi-Strauss foi mais inteiro e por isso ninguém ainda fez melhor, apesar daqueles equívocos todos. Botas sujas com sinceridade no olho. Só querem que eu leia o zépovinho para poderem continuar lendo Dosto. Eu digo não, caetaneamente. Se o suor é meu, que todo o resto também seja. E sempre que puder, vou dizer como eles são ridículos vestidos de Antonieta mandando dar brioches, já que falta pão. Superioridade camuflada de. Por azar, estarão sempre no poder, reinventando suas formas de modelagem. Como disse, tô fora.

Outramente é tão mais bacana.

E ainda nem me disseram não. Talvez nem digam.
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2 Palavrinhas:

Elaine disse...

Olá!
Este é um comentário-convite.
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Beijos e obrigada.

Sérgio Rivero disse...

Bão!...

Desparodiando o Cabral na "Faca só lâmina"...É a serventia das idéias fixas...(ehehehe)

È longa e lenta essa luta de achar espaço.

Também, tem coisas que a gente pode fazer sem precisar dos dinheiros das agências.

Creio que o crítico é achar espaços pra publicar e publicar bastante (principalmente nas estranjas)

Demora, Mi...Demora um monte!

Mas, manter a linha e continuar no rumo que vc traçou é a coisa mais certa a fazer...

A Amazônia, pra quem vê de fora, principalmente que está mais pro litoral que pro interior é uma espécie de "não-lugar".

É mais fácil fazer isso com gente "de fora". Vai por mim...Eu sei.