segunda-feira, 3 de novembro de 2008

a moça de chapéu vermelho clicada no museu pela amigamari
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fazer planos é a maior besteira. dá sempre merda. até uma gripe filhadaputa acompanhada de uma inflamação na garganta me faz lembrar que o simples ato de engolir pode ser bem doloroso. e dor é soberana. instala-se e expulsa tudo. pois a vida dói. às vezes dói como dói esta garganta inflamada. e eu com tanto a fazer, as melhores intenções do mundo, multirão de leitura e de textos a corrigir, mal consigo levantar a cabeça, pernas doem, a tendinite fica aguda, a cabeça vira uma esponja e toda a água do mundo resolve se alojar na minha boca me fazendo cuspir a todo minuto como uma velha mascadeira. e eu fico três dias atrás de uma misericórdia divina ou farmacêutica ou de benzedeira, qualquer coisa que o valha, quando deveria estar atrás do que tenho mais que fazer. é foda, nãosuportoestafraquezanocorpo, talvez por isso acordei no meio da noite choramingando - sem saber se com frio ou com calor, na dúvida liguei o ventilador e me embrulhei com o edredon que veio junto com minhas coisas que estavam no naufrágio e segurei na mão. mas tudo isto foi depois do bolo de aniversário. teve bolo de verdade, com cobertura em cima. para mim e para o lobão. bolo e vinho e vinho. e eles. esta moça kotz não é de brincadeira. nem este moço ney.

agora o nascer do sol. ele me dá agua. e me faz chá. e bagunça a casa sem nenhuma cerimônia instalando som e fazendo virar cinema. e fica doente como eu. mas tem mais humor. e quando melhoramos um pouco, assistimos a uns filminhos, que é tudo que se pode fazer quando o corpo está neste estado de degradação. e eles vêm. a turma toda. e os beatles amolecem nosso coração e enternecem nossa alma e ficamos achando que a vida é bonita. quem pode imaginar uma moribunda? aposto que a rô achou que era invenção.

aí o primeiro dia veio, hoje. quando a campainha toca às 8h30 da manhã e um corpo neste estado precisa se levantar, coitado de quem a fez soar. mas é um portador. tem nas mãos um pequeno pacote onde reconheço de imediato a letra do meu anjo ruivo. tremo antes mesmo de abrir, envolta em emoção antecipada. dentro dele todo o nosso afeto. não são as coisas que me emocionam. é reconhecer nelas as nossas conversas. é me reconhecer nelas. é saber que a ruiva as escolheu porque presta atenção em mim, porque sabe o que amo. e eu a sinto inteira aqui. ela está deitada na rede vermelha. eu estou sentada no chão ao seu lado. até que ela me diz algo e eu agarro o seu pescoço e ficamos por ali enternecidas de amor.

então a tv acende. el greco começa. e eu vejo os muros de toledo. eu me vejo na cidade. me vejo vendo as suas muralhas. me lembro da promessa que fiz por lá. me lembro do acidente que quase provoquei. me lembro do conde d'orgaz. lembrar é o céu e o inferno. mas é o céu que toco agora. e depois leio as cinco notas sobre a obra de louise bourgeois. ai ai ai.

agora o dia pode começar. o corpo mareado está carregado também de amor. vou ligar o automático e fazer o que tem de ser feito. vou começar indo ali pagar umas contas antes que a conta estoure de vez. quando eu virar uma pessoa séria, eu serei minha irmã mana. contas no automatico. organização na caderneta. poupança para a velhice. mas pensando bem, será que eusendominhairmãmana escreveria neste blog? por enquanto, então, continuarei sendo eu mesma. porque gosto deste blog. e gosto da minha vida. embora eu queira um pouquinho do juízo da minha irmã mana e outro pouquinho do da minha irmã maneca. mas eu tenho cá para mim que tenho só a tranquilidade da minha irmã morg. acrescida de uns desvarios da minha mãe. receita nada compatível com o juízo das minhas irmãs mana e maneca. ai ai ai.
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1 Palavrinhas:

macia disse...

Oi!
Que lindo!!!
Nós te amamos.
Vou ali fazer algo que gosta, cinema.
Estava molinha.
Agora adquiri ânimo.
Bjs.