Hoje li o post em que Caetano se despede no seu blog. Acho que não disse por aqui. Desde que descobri, leio o blog do Caetano. Ele fazia posts enormes. E tem milhares de seguidores. Eu nunca escrevi por lá. Mas pelo que lia, ele dava atenção a todos. Um incansável polêmico. Amo Caetano. Desde que o descobri. Gosto até mesmo das suas bravatas. Maravilha alguém ter coragem de dizer tantas - e de modo tão firme. Ele tem coerência nas suas incoerências. Muito mais interessante do que quem só tem coerência.
Eu leio muita porcaria na internet. Algumas pessoas ficam surpresas quando descobrem. Ou quando eu conto. Leio o blog da Luana Piovani há anos. Não indico porque não presta. Mas leio. E fuço os blogs das estrelas, o tal do bloglog (não à toa falei sobre eles na apresentação da minha tese), embora só leia o do Pedro Neschling, Washington Olivetto e às vezes o do Boni, quando ele escreve sobre viagens. São os únicos passíveis de leitura. Os outros são umas tontices sem fim, sem contar no constante assassinato à gramatica! Tem os humoristas. A minha sobrinha diz que são legais, mas eu não gosto muito de humor. Só quando estou vendo - esta é outra das minhas maluquices.
Halem (que anda bem falado por aqui!) comentava dias desses sobre os blogs afetadinhos. Não foi esta a palavra que ele usou. Mas é por aí. Realmente tem muitos. E se justifica. Todo mundo quer ser sabido. Acho justo. Melhor do que querer ser néscio. Sei que ele não falava sobre meu blog, mas eu expando os pensamentos via umbigo e me vejo perguntando se sou "afetadinha". Acho que sou. Mas não tento falsear. Assim espero. Sou curiosa. Sendo assim, eu sei um pouco sobre um bocado de coisa. Mas não tenho memória. Esqueço a outra metade. Se um casal de amigos chega com um filme embaixo do braço e eu acho que é ruim, eu cometo a indelicadeza de dizer. Se tiver naqueles dias muito sem noção, acrescento que não gosto da ideia de perder tempo. E os faço assistir a um filme de Wong Kar Wai que o amigo acaba por confessar que, para ele, não é sequer suportável. Eu me faço de sonsa e vemos o filme até ao final. Ainda bem que depois tem pizza.
Mas eu não poso de intelectual. Talvez de esforçada. Escrevo sobre o que me interessa. E procuro viver com o que me interessa. Só quem me interessa, eu já dizia há um tempo neste mesmo espaço. Não vejo novela há anos. Sequer tenho o canal da Globo aqui em casa. Na minha outra casa, tinha. E eu encrencava com minha amiga porque ela via. Agora ela me diz que não ver mais. Cansou. Mas às vezes eu via as do Manoel Carlos, que são melodramas para lá de óbvios. Mas justifico dizendo que ao menos têm coerência. Melhor que as de Gloria Perez que sempre me pareceram uma coisa terrificante. A última vez que vi qualquer coisa desta autora foi logo depois que a filha dela morreu. E ela fez umas cenas em que Cristiana Oliveira era torturada em um porão... ou qualquer coisa assim. Passei a achar que ela era meio louca. Mantive-me à distância. Também nunca vi um Big brother. Tentei ver um para tentar entender a razão de todo mundo ver. Mas, sem pose, não consegui. Não sei exatamente as razões do meu afastamento da programação da TV. Eu adoro filmes, mas nenhum programa, por melhor que seja, me pega mais.
Porém, como eu ia dizendo, gosto de muita porcaria na internet. Isso não é bom nem ruim. Talvez mais para ruim, se pensar no fator tempo. E acho que estou contando isso aqui para não ficar com cara de "afetadinha" demais. Estas, geramente, são pessoas chatas. Às vezes, eu sou chata, mas o que gosto mesmo é de ser vista como uma pessoa bacana. Quer dizer, antes eu queria ser bacana para todo o mundo. Agora, desencanei. Só para os que me interessam. Será a tão falada maturidade? Ou mais um aspecto "afetadinho? Enfim, difícil saber o exato de todas estas questões, mas bem excitante pensar sobre elas.
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Estas frases abaixo são do voltume 1 de A volta ao dia em 80 mundos, dois livrinhos geniais de Julio Cortazar, indicação que eu fisguei nos dias maravilhosos que passei na casa da Dêamada, em São José do Rio Preto - aquele tipo de cidade que amo porque amo algumas pessoas que lá habitam. Devido à fisgada, eu li também os dois volumes de Último round, que têm a mesma estrutura. Se estes livros não tivessem sido publicados há mais de 40 anos, com certeza teriam sido, antes, blogs. Suas estruturas anti-estruturas, que aceitam como oferendas todas a sorte de colagens, são pequenas máquinas de invenção, criatividade, humor, ironia, ternura, etc. etc. etc. Cabe muito nestes etc.: poemas, ensaios, contos, notícias, desnotícias, fotografias do Cortazar e de outros, desenhos ... A ideia parece ter sido registrar tudo que lhe interessava, como um grande caldeirão onde se faz uma sopa com todos os restos da geladeira. E quem já leu qualquer outro livro deste escritor deve saber o quanto ele é genial (de fato, este é um adjetivo que se pode abusar ao nos referirmos a ele). Para mim, Todos os fogos, o fogo é um dos melhores livros de conto de toda a literatura. E O jogo da amarelinha é daqueles livros que esticam ao máximo qualquer conceito de literatura. Porém, deixemos de conversa, e vamos às frases, não sem antes confessar de que eu adoraria tê-las inventado e que elas pudessem representar o que, para mim, é este "Nenhum lugar": 

